Trote e Trotes

Apesar das tradições estudantis, a cada ano letivo fica provado que o trote é um crime bárbaro e uma fraqueza de espírito para quem pratica ou apóia, muitas das vezes as conseqüências são catastróficas. Denominar o calouro de “bixo” (ou bixete, se for mulher), não parece querer indicar “que o calouro deve ser humilhado a ponto de nem mesmo merecer que a palavra “bicho” seja escrita corretamente” (Zuin, 2002, p. 44).

Pelos menos se esses que praticam, soubessem distinguir a palavra trote, talvez não o fizessem.  Segundo Aurélio, o trote é “a andadura natural das cavalgaduras, entre o passo ordinário e o galope, e que se caracteriza pelas batidas regulamente espaçadas das patas”, (feito elegantemente pelos eqüídeos), ou também, “a zombaria a que os veteranos das escolas sujeitam os calouros”, este último, praticado pelos os fracos de espírito, com suas próprias patas e de forma deselegante na hora de receber os novos colegas.  

Muitas instituições estudantis, já começaram a divulgar os seus calendários de inscrições para os concursos de seleção, portanto, também é chegada a hora, de se fazer campanhas de orientação para que a prática do trote não se realizem, deixando claro, que mesmo os que estão prestes a se formarem, não pratiquem, pois poderão se expulsos.

Há muito tempo a violência no universo estudantil tem sido um traço característico das relações escolares. Entretanto, seu foco era direcionado ora para a violência contra a escola e ou seus governantes (No Brasil, as manifestações da juventude estudantil provocaram uma série de mudanças culturais no seio da sociedade.), ora para os próprios pares (como nos trotes) e coisas banais (Como a revolução estudantil de maio de 68, quando o reitor da universidade de Nanterre proibiu os rapazes de visitar as moças em seus dormitórios).

A origem dos trotes estudantis é incerta; porém, existem registros de sua ocorrência na Idade Média. Um dos documentos mais antigos desse tipo data de 1342 e refere-se à Universidade de Paris. Nas instituições européias, era comum separar os novatos dos veteranos. Aos novos alunos era negada a possibilidade de assistir às aulas junto com os demais, no interior das salas: eles eram obrigados a se dirigir aos vestíbulos (pátios de acesso ao prédio) – daí o uso do termo vestibulando para identificar aqueles que estão prestes a entrar para a universidade.

Sob a alegação de profilaxia e necessidade de manter a higiene, os novatos tinham a cabeça raspada e, na maioria das vezes, suas roupas eram queimadas. Essa prática, no entanto, logo se converteu numa espécie de culto à humilhação. Com o tempo, os trotes ganharam ainda mais requintes de crueldades. Foram registrados, sobretudo, nas universidades de Heidelberg (Alemanha), Bolonha (Itália) e Paris (França), situações em que os calouros eram obrigados pelos veteranos a beber urina e a comer excrementos antes de serem declarados “domesticados”. Domesticados! Não seriam eles os animais?

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